HISTÓRIA

Há cerca de 40.000 anos, os homens primitivos começaram a preparar pigmentos extraídos de plantas, animais e minerais reduzidos a pó, secos e aglutinados em resinas vegetais e gordura animal diluídos em água. Os artistas usaram estas cores para pintar figuras de animais nos tetos e paredes das cavernas. As primeiras descobertas destas pinturas foram feitas no século XIX em Altamira, Espanha e em 1940 na gruta Lascaux, França. Os pigmentos usados eram óxidos de ferro amarelo, vermelho e preto, carvão de madeira ou ossos queimados, caulim, etc.

Já há cerca de 10.000 anos, artistas do Egito descobriram o processo de preparar cores incluindo óxidos de ferro, “cinabar” (um mineral à base de mercúrio), amarelos de arsênico, verdes e azuis do minério de cobre e vermelhos púrpuras da Rubia tinctorum (garança), o preto do carvão e gordura animal queimada e o branco do caulim.

A partir do século XV mais pigmentos foram adicionados, sendo o branco de chumbo (carbonato básico de chumbo) o pigmento artificial mais conhecido, sendo usado até hoje.

Os óxidos de ferro foram processados extensivamente na Itália, por aquecimento e lavagem com água. Estes óxidos permitiram, através deste processo, obter-se uma grande gama de cores, tais como, vermelhos, amarelos, verdes, vermelhos púrpuras, que até hoje são usados pelos artistas.

Um carbonato verde de cobre produziu o verdigris, outros materiais de origem vegetal e animal deram vermelhos mais interessantes (sépia, bistre, cochinilha), amarelos (açafrão, amarelo indiano) e verdes (sap green). Novos materiais foram adicionados tais como “smalt” (oxido de cobalto e potássio), amarelo real (sulfato de arsênico) e o bastante conhecido azul ultramar verdadeiro (lápis lázuli).

Em 1704 o primeiro pigmento sintético feito pelo homem foi descoberto, o Azul da Prússia. Em sucessões rápidas nos 150 anos seguintes, apareceram novas cores que substituíram as antigas mais fugazes e prejudiciais à saúde. Estes novos pigmentos são hoje quase indispensáveis ao artista moderno. Eles incluem Azul de Cobalto (1802), o Azul Ultramar (descoberto acidentalmente em 1828), Verde Viridiam (1838), Amarelo de Cádmio (1846) e Branco de Zinco (inicialmente produzido em 1751, mas somente disponível em 1840).

A era moderna dos pigmentos começou com o desenvolvimento dos corantes sintéticos, a partir do carvão da hulha por William Perkins em 1856, embora tivessem fraca resistência à luz. Em 1868 o primeiro corante orgânico-natural, Alizarim Crimson, foi comercializado e aceito pelos artistas.

No final do século XIX e no início do século XX houve um tremendo aumento de variedade de cores, melhoria no refino dos pigmentos minerais e nos pigmentos orgânicos sintéticos.

Hoje, os pigmentos sintéticos orgânicos, por sua excelência comprovada em testes de laboratório, estão substituindo com enorme vantagem os pigmentos inorgânicos.

Padrões para Pigmentos:
Os pigmentos e corantes usados na industria (gráfica, têxtil, etc.) não seguem um padrão de rígido controle quanto à resistência a luz. Entretanto os pigmentos usados nas tintas para os artistas devem possuir qualidades especiais que garantam sua durabilidade por longo período de tempo. A palavra “permanente” é muitas vezes usada, por alguns fabricantes de tintas para descrever durabilidade, porém este termo tem pouco significado.

Para que um pigmento seja qualificado para uso artístico, ele deve preencher as seguintes qualificações:

1 – Deve ser um pó macio e finamente dividido.
2 – Deve ser insolúvel no medium no qual é utilizado.
3 – Deve resistir à ação da luz solar sem mudar de cor, sob condições às quais a
.....pintura pode normalmente estar exposta.
4 – Não deve exercer ação química prejudicial sobre o medium ou sobre outros
.....pigmentos com os quais deve ser misturado.
5 – Deve ser quimicamente inerte e não se alterar quando misturado com outros
.....materiais, ou quando exposto à atmosfera.
6 – Deve ter o grau apropriado de opacidade ou transparência para ajustar-se ao
.....propósito para o qual foi concebido.
7 – Deve ter toda sua força e não conter nenhum ingrediente inerte ou carga.
8 – Deve cumprir os critérios aceitos de cor e qualidade e apresentar todas as
.....características do seu tipo.
9 – Deve ser adquirido de um estabelecimento confiável que seleciona e testa suas
.....cores, e pode dar informações sobre a origem, especificações da qualidade, etc.

CLASSIFICAÇÃO DOS PIGMENTOS:
Os pigmentos podem ser classificados de acordo com sua cor, seu uso, sua permanência, etc. Costuma-se entretanto classificá-los de acordo com a sua origem da seguinte forma:

Inorgânica (mineral)
1. Terras-naturais: ocre, sombra-natural, etc.
2. Terras-naturais calcinadas: sombra-queimada, siena-queimada, etc.
3. Cores sintéticas inorgânicas: amarelo de cádmio, oxido de zinco, etc.

Orgânica
4. Vegetal: gamboge (goma guta), índigo, garança, etc.
5. Animal: cochonilha, amarelo indiano, etc.
6. Pigmentos orgânicos sintéticos.

Nomenclatura: Os pigmentos podem ser batizados por suas semelhanças com as cores de objetos da natureza, pelo nome de seus inventores, por seus lugares de origem, pelos seus propósitos para os quais são utilizados ou pelas suas composições ou derivações químicas.

Até o século XVIII havia uma situação de confusão, quase um caos, quanto à denominação e fabricação das tintas e pigmentos pelos próprios artistas. Existiam incontáveis pessoas preparando pigmentos e tintas e muitos “Guilds” mantinham em segredo suas formulações. Os nomes dos pigmentos mudavam de região para região e muitas substâncias de qualidade duvidosa eram usadas na formulação de aquarelas e vendidas pelas lojas com nomes de fantasia.

Com o advento da química moderna e a partir do século XIX, os fabricantes começaram a escolher com mais critério os pigmentos e melhorar as formulações de suas tintas. Somente a partir de 1977 a “Artists Equity Association”, uma renomada associação representando os artistas americanos junto aos fabricantes de aquarelas, solicitaram à “American Society of Testing and Materials (ASTM)” o desenvolvimento de novos padrões. Estes padrões foram escritos e publicados, sendo encaminhados aos fabricantes para serem colocados nas etiquetas das aquarelas. Estas informações que todos os fabricantes de tintas devem seguir, em conformidade com o padrão ASTM D 5067, são:

. Color Index Name do pigmento
. Descrição do pigmento
. Grau de toxidade
. Resistência à luz


Por exemplo, uma aquarela que leva a denominação da cor Azul Ftalo, deve constar na sua etiqueta os seguintes dados:
Azul Ftalo (cor da tinta)
Ftalocianina de cobre alfa ( denominação da matéria prima).
PB 15:1 (Color Index Number)
Grau de toxidade: (não tóxica)
Solidez à luz = 8 (refere-se à resistência à luz) Além das informações acima, os produtos fabricados no Brasil devem informar:
Composição da aquarela, número do registro do responsável no CRQ da região, advertência para manter o produto longe do alcance de crianças, data de fabricação, validade, número do lote de fabricação, CNPJ do fabricante, etc.


Color Index Number: Conforme anteriormente mencionado a ASTM criou padrões para a identificação dos pigmentos para uso artístico. Abaixo segue a relação da abreviações usadas e os nomes do pigmentos correspondentes: Natural Red NR Vermelho Natural

Pigment Blue
PB Pigmento Azul
Pigment Black
 
PBk Pigmento Negro
Pigment Brown
 
PBr Pigmento Marron
Pigment Green
 
PG Pigmento Verde
Pigment Orange
 
PO Pigmento Laranja
Pigment Violet
 
PV Pigmento Violeta
Pigment White
 
PW Pigmento Branco
Pigment Yellow
 
PY Pigmento Amarelo

Nota: Para aqueles que querem se aprofundar no estudo dos pigmentos, sugerimos consultarem o Manual do Artista de Ralph Mayer, páginas 40 a 143.

Resistência à luz:
A impermanência de um pigmento não é somente devido à ação da luz. Algumas cores sofrem a ação de substâncias químicas que estão na atmosfera.
A exposição à luz é a que maior dano produz, principalmente nas aguadas transparentes das aquarelas. Muitos pigmentos resistem à ação da luz em aplicações densas, mas se tornam fugazes em aplicações mais diluídas. De acordo com a ASTM, as cores devem seguir os seguintes padrões quanto à resistência à luz:

ASTM I
Excelente resistência à luz
ASTM II
 
Boa resistência à luz
ASTM III
 
Não atende as normas e tais cores podem sofrer alterações principalmente nas aplicações mais diluídas.
ASTM IV
 
Os pigmentos nesta categoria não resistem à ação da luz e portanto, devem ser descartados pelos aquarelistas
ASTM V
 
Não servem aos aquarelistas.

Além dessa classificação existe outra que dá mais acuidade e segue os padrões da ASTM D 5383 e D 5398. A firma GOLDEN vende um estojo para que os próprios artistas possam realizar os testes de suas tintas e a classificação de resistência à luz varia entre os parâmetros 1 e 8. Atualmente os fabricantes de pigmentos e tintas seguem estes padrões da ASTM. Assim temos:

1 a 2
Tintas fugazes impróprias para uso artístico
2,1 a 4,5
 
Inferior, também não devem ser usadas
4,6 a 6
 
Aceitável para uso
artístico
Acima de 6
 
Considerada boa
e recomendada para os artistas

Nota: Sob condições normais de iluminação em museus, as tintas que indicarem a classificação abaixo resistem a ação da luz nos seguintes períodos de tempo:

De 1 a 2
No máximo 20 anos
2,1 – 4,1 e 4,6 – 6
 
No máximo de 20 a 100 anos
Acima de 6
 
Resistem sem modificações cerca de anos

Como já foi mencionado anteriormente, esta classificação se refere somente à ação da luz, porém existem outros fatores tais como poluição do ar nas grandes cidades onde o ar contém inúmeros gazes poluidores, tais como os resultantes da queima de combustíveis e gazes produzidos pelas industrias de transformação e que atuam sobre os pigmentos, principalmente nas aquarelas, modificando as cores. Existe uma nova tendência de se envernizar os trabalhos de aquarela com um verniz protetor, tendo em sua composição um produtos inibidor da ação dos raios ultravioleta (UV). Alguns aquarelistas que usam este verniz de acabamento matte dispensam a colocação de vidros nas molduras.

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